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E esse tal de Raspberry Pi?

Há cerca de 10 dias compramos, aqui no trabalho, um Raspberry Pi com o objetivo de ligá-lo em TVs para projetar conteúdos que sejam úteis para nós. O grande atrativo desse cara é seu preço (pagamos cerca de R$ 280,00 na placa + case + cartão de memória), seu tamanho e do que ele é capaz.

Comparado com um cartão de crédito.

Comparado com um cartão de crédito.

“Lulão, você não disse que iria escrever nesse blog coisas sobre o desenvolvimento de software?” Sim, eu disse! Mas acontece que o novo brinquedo foi bem animal e eu apanhei um bocado pra conseguir fazer algumas coisas funcionarem. O objetivo desse post é compartilhar esse conhecimento com o mundo. Principalmente com conteúdo em português que é, praticamente, inexistente. Se você se rendeu a ter um desses bichinhos, seja pelo motivo que for como simplesmente o fato de ter um, esse post pode lhe ser útil.

Não existem grandes segredos para você ligar o seu Raspberry: a brincadeira começa divertida com a montagem do case, basta você ligar o cabo de força (e um parênteses aqui: fique de olho na voltagem e amperagem da energia que você vai ligar no dispositivo, o recomendado é 5v e 1A) e o cabo de imagem e tudo funciona. Mágico assim! Óbvio que você precisa de um cartão de memória com um sistema operacional pra placa bootar… mas tendo isso em mãos, é ligar e ser feliz!

No primeiro momento que você liga, já aparece um setup que lhe permite configurar coisas básicas como locale, data, senha do usuario pi e já deixar habilitado o ssh server e o start automático pelo ambiente X. Feito isso, um reboot acontece e pronto: você está com seu Raspberry funcionando.

No nosso caso queríamos instalar algum VNC da vida que nos permitisse controlar a tela de forma remota para não termos que comprar mouses e teclados sem fio. Depois de muito apanhar conseguimos fazer isso através do pacote x11vnc. Com um apt-get install você instala o bicho e basta executar um x11vnc -forever e pronto: seu Raspberry já aceita conexões remotas, via VNC, para você manipular o desktop.

Nada disso teria graça se você precisasse executar esse comando a cada vez que ligasse seu mini computador. Seria mais fácil se isso subisse automaticamente, não é?! Foi isso que pensamos e que tentamos fazer. Testes com o rc.local e nada. Testes com o /etc/profile e nada. De tanto fuçar, descobri que um bom jeito seria iniciar o aplicativo junto com o ambiente X. Só que isso não é tão trivial: você precisa configurar um arquivo .desktop em um diretório que você precisará criar e escrever um script que faça o que você quer. Essas dicas todas vieram desse post: Raspberry Pi and autostart.

VNC instalado e configurado para subir sozinho, é hora de instalar um bom browser. Optei pelo Chromium que, também, com um apt-get install você instala direitinho. Só que aí começou a dor de cabeça do proxy: não existe uma opção para você configurar isso via aplicação e o Chromium parece ignorar as variáveis de ambiente (http_proxy e afins)… fuça, fuça e fuça até descobrir que você precisa mexer num arquivo do próprio browser configurando as informações do browser. Os detalhes de como fazer isso você pode conferir no post Configurando o Chromium para usar proxy.

Depois de tudo isso, começou a me incomodar a performance do Raspberry. Eu esperava mais… e vamos ver como está o consumo de memória. Executo um free -m e descubro que só tem cerca de 190MB disponíveis… cadê os malditos 512MB prometidos nessa nova versão da placa? Pesquisa, pesquisa, pesquisa até descobrir que você precisa fazer uma atualização do firmware da placa… Tenso, né?! Seria! Seria se não houvesse pessoas boas no mundo que resolvem esses problemas e compartilham com o mundo. No post Unlocking your new Raspberry PI’s 512MB of Memory! você tem as instruções simples para realizar essa atualização e liberar os famigerados 512MB. E pronto!

Com o pouco uso que ainda tive aqui, a minha impressão é de que é um aparelinho bem legal de se ter para fuçar e explorar mundos antes inexplorados (como a parte de robótica). Para esse lance de ter ele como um gerador de conteúdo pra uma TV me parece ser uma ótima solução de custo / benefício. Mas não se anime tanto, existe uma limitação de processador e sites mais pesados, que passam despercebidos em computadores normais, vão enroscar um pouco. Não vi como ele funciona para ser uma central multimídia mas, para este uso, existe um sistema operacional específico. Enfim,  a brincadeira é divertida, bem divertida e o aparelho bem funcional. Só não espere que as mulheres ao seu redor achem isso maneiro: vai tentar convencê-las de que o Raspberry é bem mais da hora que sapatos

Raspberry com um case transparente. Nerdisse pura! :) :)

Raspberry com um case transparente. Nerdisse pura! 🙂 🙂

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