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A terceirização de TI

“Líderes de TI precisam desaprender para inovar, diz especialista”. Foi lendo este artigo na Computer World que eu decidi criar o blog e começar a escrever um pouco mais sobre o assunto. Seguindo a recomendação de uma colega aqui do trabalho, fui ler o artigo e confesso que fiquei bem empolgado: não só pelo título mas pelo o conteúdo que eu vinha lendo. Até chegar o penúltimo parágrafo quando o autor fala de terceirização de TI. Aí bagunçou…

Não há dúvidas de que passou do tempo de TI parar de ser um mero produtor, ou reprodutor, de códigos e soluções e passar a ser uma figura crítica e viabilizadora de oportunidades. A aproximação desta área às áreas de negócios trazem experiências extraordinária e resultados incríveis. Mas dizer que terceirizar a engenharia de software é algo que nunca deveria ser aprendido foi o ponto que me doeu. Não só pelo fato de eu ter trabalhado a vida inteira em empresas terceiras de desenvolvimento de software mas por não bater com a minha concepção do que essa ação implica em um negócio.

TI, software, quase sempre, é meio. Quase nunca é fim. Pensemos em um negócio qualquer… um banco, por exemplo. O negócio de um banco é mexer com dinheiro: contas correntes, empréstimos, investimentos e afins. O fim de um banco é esse. É nisso que ele precisa ser MUITO bom e eficiente. Para que isso seja possível, dentre outras coisas, esse banco vai precisar de um baita software que o auxilie a gerenciar da melhor forma, a tomar as melhores decisões, a fornecer aos seus clientes uma ferramenta de acompanhamento do dinheiro investido. Mas o negócio dele é mexer dinheiro, não TI.

Internalizar a engenharia de software pra dentro de um banco é se fechar para tudo aquilo de novidades e melhorias que o mundo de TI possa a vir oferecer. E por que isso? Porque o negócio do banco é mexer com dinheiro, não é desenvolver sistemas. E é nisso que esse banco deve ser expert, excepcional e é bem provável que é para onde irá a maior parte do investimento disponível, seja de dinheiro, de energia, de conhecimento. Da mesma forma, empresas terceiras de desenvolvimento devem ser expert e excepcionais em desenvolvimento de sistemas que, afinal de contas, é o seu negócio. Internalizar algo que é meio, e não fim, para dentro de seu negócio é direcionar sua visão apenas para a sua realidade.

Empresas de desenvolvimento de software estão, deveriam pelo menos, antenadas em absolutamente tudo o que rola de novidades nesse mundo. E devem conseguir, de uma forma bem mais prática, rápida e eficiente, colocar uma novidade em prática para analisar se ela pode mesmo ser adotada, em qual cenário aquilo melhor se encaixa. Empresas de desenvolvimento costumam trabalhar com uma diversidade de negócios e tecnologias bem maiores o que lhes permite ter uma diversidade de soluções de tecnologia mais amplas e, até mesmo, mais eficientes.

Internalizar a engenharia de software, na minha visão, é a mesma coisa que você ser um advogado e querer construir sua casa com suas próprias mãos. Pode ser legal e pode até ficar bom, no caso de você ter algumas habilidades. Mas se você contar com a ajuda de um profissional, cujo negócio dele seja construir casas e que entenda MUITO do assunto, o resultado vai ser bem melhor!